D 22 - O Desabafo

Olá,

Meu nome é Luana Mendes, eu tenho 26 anos e hoje, 05 de maio de 2018 é o D 22 após o meu segundo transplante de medula óssea.

Essa caminhada tem sido muito longa. Ela começou em agosto de 2009, quando eu comecei a sentir dores nos joelhos. Neste mesmo ano, no dia 02 de outubro eu tive o diagnóstico de Leucemia Linfoide Aguda (CID C 91.0) e no dia seguinte já comecei essa caminhada no mundo das quimioterapias.

O tratamento foi infantil, porque pela minha idade, a doença era de alto risco. Não foi fácil. Nunca foi.

Foi ainda pior quando a doença, que era então uma sombra do passado, me deu uma rasteira e voltou em 2014. Eu fiz apenas um ciclo de quimioterapia e já fui encaminhada para um transplante as pressas. Meu fígado estava pedindo socorro após uma hepatite toxicológica. Não era fácil, mas eu era uma abençoada, meu único irmão era 100%, um bilhete sorteado da loteria.

Foi um transplante abençoado! Nenhum problema além de uma mucosite de quatro ou cinco dias. Recuperação perfeita. Vida normal.

Nova rasteira.

Como assim a leucemia podia ter voltado? Isso era possível? Como assim? Não, eu nunca me interessei em saber que em algumas pessoas, a doença pode voltar mesmo após o transplante. Então fiquei eu, assustada, sem saber como aquilo era possível, precisando pausar toda a minha vida e me dedicar novamente a cura da doença.

Não é fácil. Nunca é.

Desta vez foram três ciclos de quimioterapia. Todos os dias em quartos coletivos. Que saudade de escolher a hora de apagar a luz e dormir! Quantos bons companheiros, poucos companheiros de quarto que chegaram a ponto de me levar quase a loucura. Eu estava a ponto de explodir, meu corpo estava pronto para o transplante. Minha mente estava destruída.

Por um azar do destino, a médica maravilhosa responsável pelo tratamento descobriu uma grave doença, e isso atrasou todo meu processo para o transplante. Quatro meses de férias. Meu pai ou minha mãe seriam os doadores. Eu já estava fazendo minhas apostas. Novo susto. Nenhum deles tinha a compatibilidade necessária. Vamos ao REDOME.

Alguém pelo mundo pode ser compatível comigo e salvar a minha vida. Mas será que essa pessoa se cadastrou pelo doador?

Sim, eu encontrei um doador, por que apesar de todos os reveses, me considero uma pessoa de muita sorte.
Um alemão, quase da minha idade, decidiu um certo dia que valia a pena se cadastrar e salvar a vida de um desconhecido.

Meu transplante foi nos dias 12 e 13 de abril. Imagine a tensão de saber que sua medula está voando de avião sobre o oceano atlântico? Então, eu não senti nenhuma hahahahaha Eu não sei se sou louca ou as vezes bloqueio o perigo da realidade, mas eu, uma pessoa ansiosa com tudo, não fiquei ansiosa com o transplante.

Mas fico agora. Fico ansiosa agora que está tudo dando certo. Fico ansiosa porque os médicos parecem animados e eu não me sinto tão bem assim. Fico ansiosa porque os médicos dizem que meu enjoo é normal e eu acho que já devia estar melhor.

Fico ansiosa porque fazem 22 dias do transplante e está tudo dando certo. Mas está dando certo o suficiente? E se eu me esforçar mais em algo?

Os médicos, enfermagem e principalmente minha amada família dizem que não, eu não posso fazer nada além do que já faço, mas é esse meu sentimento a maior parte do tempo.

Mas agora não. Eu conversei com meus pais e meu coração se encheu de paz. E então pela primeira vez eu tive vontade de escrever. E por isso é só, porque os dias são compridos, mas o importante é nos sentirmos bem.

Comentários

  1. Querida sobrinha, lendo seu relato ainda me emociono, mesmo acompanhando suas lutas diárias para vencer mais essa batalha. Como já falei pra você se um dia eu tiver uma filha quero que seja como você, GUERREIRA, meu orgulho por você e master blaster power. Love You

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